O torpor que sinto dentro de mim
Sinto-me um zumbi
Um morto-vivo, mais morto que vivo
Toda intensidade de vida guardada
Exaltada em meus olhos
Glorificada na criação
Na caminhada firme dos meus pés
Agora, entorpecida,
Uma dor que não queria tão anestesiada
Por que ter vida senão for para ser vivida
Essa minha vontade e sina
De querer encontrar a eternidade em um momento
Tão fugídio de mim.
Mas ainda assim, querendo viver,
Abrir os olhos amanhã de manhã
E recuperar durante o dia
A minha própria vida.
Aviltada por mim,
E castigada.
Devotada àquele instante,
Que não surge mais.
A fonte dos meus olhos seca,
A aridez invade minha alma,
Sou deserto, inabitado e frio,
Na escuridão. No raiar do dia,
Sofreguidão.
Coração, você pulsa,
Numa alma confusa.
E invoca a cada batida,
A mesma vida estilhaçada,
Repetida nesses meus versos,
E eu invoco e clamo, contigo,
Perdido nesse vazio tão preenchido.
Espero vida, clamo vida,
Como quem sente tanta sede.
Apenas um copo d'água,
Dessedento.
Então, busco refrigério,
É só isso,
Um lugar e um descanso...
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