12 de março de 2026

Gestação

Mascare todo dia o que tu sentes
Não reclames
Tens mais que o suficiente
Em todo momento em que te humilham
Force suas pernas a cada momento
E tua cabeça

Foste puxado pela cabeça, aliás
Entre forças e dor intensa
Pois então que se force um novo nascimento
Que as dores venham a se tornar flores

Venha à luz então entre tantas lutas
Ainda que haja o desmaio 
Que te puxem para fora
E sobreviva aquela que te dá a luz

Conduzes a vida angustiado?
Que tuas orações sejam conhecidas
Estejam sempre chorar, de plenos pulmões
Até que te acalmes depois de alimentado
No seio daquela que te gerou.

Saberás então, não foi em vão.
Enquanto não fostes gerado, gestado,
Não te acalmes tão fácil
Porque haverá algo novo
Vindo com a força da inevitável
Aurora.

18 de fevereiro de 2026

Entorpecimento

Escrever poesia é uma atividade para aliviar minha dor
O torpor que sinto dentro de mim
Sinto-me um zumbi
Um morto-vivo, mais morto que vivo

Toda intensidade de vida guardada
Exaltada em meus olhos
Glorificada na criação
Na caminhada firme dos meus pés

Agora, entorpecida,
Uma dor que não queria tão anestesiada

Por que ter vida senão for para ser vivida
Essa minha vontade e sina
De querer encontrar a eternidade em um momento
Tão fugídio de mim.

Mas ainda assim, querendo viver,
Abrir os olhos amanhã de manhã
E recuperar durante o dia
A minha própria vida.

Aviltada por mim,
E castigada.
Devotada àquele instante,
Que não surge mais.

A fonte dos meus olhos seca,
A aridez invade minha alma,
Sou deserto, inabitado e frio,
Na escuridão. No raiar do dia,
Sofreguidão.
Coração, você pulsa,
Numa alma confusa.
E invoca a cada batida,
A mesma vida estilhaçada,
Repetida nesses meus versos,
E eu invoco e clamo, contigo,
Perdido nesse vazio tão preenchido.

Espero vida, clamo vida,
Como quem sente tanta sede.
Apenas um copo d'água,
Dessedento.
Então, busco refrigério,
É só isso,
Um lugar e um descanso...

8 de janeiro de 2026

Ilusão

Minha alma se estragou.
Sou um trapo rasgado e sujo
Em uma casa velha e esquecida,
Largado em um canto escuro.

O que havia de vida aqui?
Para que servi?
Alguém um dia limpou a vidraça
E viu um casal de pássaros e sonhou...

Trouxe a papéis vívidos sonhos 
Escritos em linhas poéticas
E alguém se apresentou,
Uma ilusão.

Oxalá fosse verdade
O que se escrevia ali,
O tempo passou
É hoje, aqui, não há mais nada.

Um amor não vivido,
Um canto esquecido.

25 de dezembro de 2025

O que nâo pude

Me desculpe
Se não consigo ser melhor,
Se nao consigo dar algo 
Melhor do que isso.

Eu lhe digo,
Do coração,
Se eu pudesse
Faria o melhor para deixar-lhe satisfeito.

Vim a um mundo de muitas dádivas,
Dentre elas você,
Mas não consigo retribuir,
Embora me esforce
Até romper alguma fibra do meu coração.

Ele pulsa torto,
Desconjuntado...
Aceite o que posso lhe dar,
É o que eu pude

Com toda força que tive
E não tive.

E assim,
Espero que lembre de mim,
Bem, em paz,
No teu próprio coração. 

23 de dezembro de 2025

Em vão?

Escrever o que minha alma sente, como se alguém se importasse com isso. O que é a minha vida nesse mundo? Qual o tempo da minha vida? Quando estiver em túmulo frio, que diferença fará saber disso? Todo amor parece vazio quando tocado pela morte. Se tudo no fim será morte, o que importa esse momento ou o que virá? Mas se de alguma forma existisse um amor intenso e verdadeiro que pudesse condensar em um belo instante toda a eternidade, nada disso seria em vão.

Essa vida não seria vã.

E mereceria o nome de vida.

6 de dezembro de 2025

Idiota

Sinta-se um idiota
Por ser você
Em um mundo em que se é
Tudo fora de si

O idiota acorda para dentro
E o mundo adormece para fora
E falam de todos 
E todo mundo é estranho

Todos são alguma caricatura
Parecem com algo
Então seja um idiota
No melhor sentido da palavra 

Volte-se para si
E quando sentir vergonha 
Dance

1 de dezembro de 2025

Só de olhar para você,
Minha face se ilumina e sorri.
Você me alegra o coração,
A um mar de distância.