4 de abril de 2026

Folhas secas

Toda minha poesia
Tudo o que escrevo
É uma tentativa de exorcizar
Toda essa dor interna

De sonhos não realizados
Na crueza desse mundo tão vil
De mortes banais
De juízes de togas pretas

Que parecem com Caronte
Impassível, a remar 
Levando todas as almas ao mesmo lugar
De escuridão

Ninguém atenta para isso
Tudo é esquecido
Um silêncio tumular 
Uma insinuação do vento a assoviar

Uma folha seca a se despender
No início do outono
E apenas se pensa
E o olhar paralisa 

Ele não passeia
Só vê folhas secas.

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