O amor é uma coisa estranha
Que mexe com o coração
As entranhas se remexem
E você esquece quem é
Porque é como estar bagunçado
Por dentro
A vida lhe chama ao risco
Mas é como vertigem diante do abismo
Você não sabe o que fazer
O desejo é se afundar no desejo
Do beijo
É como se a terra mesma
Fosse faminta de amantes
E os engolisse
Antes fugir, porque nada se entende
Nascem estrelas nos céus
Distantes,
Morrem estrelas, colapsam
E viram do avesso
O amor não se comporta nele mesmo
Ele se revolve,
Em luz, em trevas, em nova luz
E nada dele se compreende
Ele sente, e esse sentir
Não tem fim
E mesmo na eternidade
Buscar-se-ia mergulhar
Num oceano de olhar
Profundo, turvo e límpido
A libido é apenas um complemento
De algo que atrai
E, turbulento,
Move tudo, sem ser conhecido de tudo
O poeta tolo fala
E permanece incompreendido
Assim como o amor,
Que lhe escapa
Mesmo estando dele
Tão perto
Tudo e nada se chocam
E deles vem algo
Novo e belo
Mas não é possível distinguir
Apenas contemplar
Admirar