24 de outubro de 2019

Amor...

Amor (24/10/2019)



Quantos poetas não escreveram sobre o amor
Quantos melhores que eu
Quantos sem entender
E tantos outros amando
Mas, que sei eu
Diferenciam o amor, categorizam-no
Amor assim, amor assado
Amor que se esfria
Já sonhei com o amor
Ah, ele estava na leveza de um toque de mão
Mas não o encontrava
Procurei, me perdi, me iludi
E finalmente me escondi
Vivo aqui
Aprisionado por tudo que não foi
Autocomiseração?
Não, certamente não...
É um amor bobo, idealizado
Um coração enganado
Ah, lembro daquele menino esperançoso
Dizendo para si que as gotas de chuva no chão
Eram as chances de um amor juvenil
Não sei o que aconteceu
Derramaram um pouco de fel
No doce agradável do vinho
Ou te embriagaste de desejo rude apenas
Seja como for
Amargor entrou em teu coração
E guardas lembranças do que nunca foi
Talvez um dia seja
Um dia, um momento
Um começo que seja duradouro, enfim...

19 de junho de 2019

Coração de cristal

Coração de cristal

Vivo na indefinição 
De ser um coração a todo momento partido
Ele se parte e se perde
Na vida, caminha todo trôpego 
Por todo erro cometido
E toda vontade de acertar
Vê a felicidade que não alcança
Tamanha exigência
Não seria uma?
Fraco coração 
Derretendo-se 
Desfalecido
Tolo coração
Quando criança
Cabem em ti todos os sonhos
Quando adulto, todas desilusões
Apreenderás tua solidão?
Não adianta se transbordar nos olhos
É apenas para o alívio
De uma ferida carente de cuidados
Quem te fez coração?
Que possa cuidar de ti
Da tua contrição

6 de junho de 2019

Abra meus olhos


O que se faz
Quando não se vê saída?
Nem mesmo entrada
Guinada para qualquer lado
Se cala
Espera naquele
Mais velho que todos os dias juntos

Minha alma numa encruzilhada
Entre a cruz e a espada como dizem
Não posso escolher a espada

Estou como Agar no deserto
Não vejo o poço perto de mim

Abra meus olhos para que veja

22 de janeiro de 2019

Poema torto (22.01.2019)

Eis aqui um poema torto
Vês todos esses juízes
Vestem-se como palhaços
Também há um coro
Desafinado

Cantam cânticos alegres
Como se tivessem embriagados
Tudo é vertigem
Porque, afinal,
O mundo roda

É Pinóquio se divertindo
Na mão do grande titereiro
Achando-se muito livre
Distante de Gepeto

Todo mundo ri
É uma grande atração
O coração bate
Trincando a cada batida

Eu disse, meu poema é torto
Então por que busco rima?
O ritmo nem deveria existir
Ouçam somente o coro de embriagados
E os juízes vestidos de palhaços

13 de outubro de 2018

Utopia

Não quero você em meus ouvidos
Todo esse arcabouço
Essa mochila, um fardo pesado para minhas costas
Deixe-me só, com meus sonhos e pesadelos
Se levas bem esse fardo, por que deveria eu sustentá-lo

Vós sois pregadores de palavras estranhas
Sois arautos de uma morte e de várias mortes
Trazeis santos em vossas mentes
De uma religião estranha
Carregada, entranhada de sangue

No entanto dizeis, "paz, paz!"
Torcem a linguagem, chamam "amor"...
No entanto vossos santos, estão encharcados
De sangue, não de martírios
Pois sois santos às avessas

Arautos de igualdade, matais o diferente em nome dela
Dividis a história novamente
Em busca de uma utopia distópica
Avessa à beleza

Reformulais vosso discurso sempre
Sois os pregadores de horizontes mais belos
Do que aqueles que contemplamos
Pois para vós não basta a beleza do mundo
É preciso ser o não lugar, talvez o nada

16 de agosto de 2018

Dias escuros


Encontro-me cansado de mim
Da minha alma suja
De desesperanças
De solidão ruim a me atacar

De sonhos sonhados intensamente
Mas quebrados, estilhaçados ao chão
Como taça de cristal que se quebrou
Sou uma alma perdida entre tantas outras
Em mundo que esqueceu de amar
E me vejo esquecendo também

A noite tem chegado
Densa, escura e fria
Como um véu de negro intenso
Em um mundo onde me pergunto
Se um dia foi radiante
Como nos meus dias de juventude

Sei da minha alma culpada
No júri da minha consciência
No entanto busco redenção
Para um coração cansado
Busco um nascer de sol
Após ele tanto se por diante dos meus olhos


14 de julho de 2018

Razões do coração

Eu preciso esquecer!
A minha alma precisa se livrar
Dessas lembranças do que nunca aconteceu.
Meu coração precisa ser livre da dor.

Mas ele parece tolo...
Se inclina a isso, a esse amor não acontecido,
Se inclina com todo desejo de amar
Num anseio difícil de entender.

Por que meu coração,
Pareces viver dentro de mim
E querer viver como se fosse só tu?
Por que te iludes?

Por que acreditas
Nessa ideia de amor que formas?
Ouça a razão que te entristece,
Mas talvez te entristeça
Para teu próprio bem!

Mas a mesma razão sabe
Que tens suas razões
E se entristece por saber
Nossa própria situação agora
Quem sabe no futuro tudo mude...

Sinto-me como se fosses tão esperançoso
Com algo que não parece oferecer tanta expectativa
De felicidade aguardada,
Pois sabes que não te quer
Aquilo que tanto queres.

****

Esse poema escrevi pensando em uma pessoa... Que marcou minha memória, e meu coração idealiza o que nunca aconteceu, mas talvez essa não foi a única vez. Por que nosso coração parece agir independente de nós mesmos? Talvez porque ele conheça a nós mesmos mais do que a razão, nossa razão apenas diz que o sofrimento é vão, mas nosso coração continua a ansiar...

1 de abril de 2018

Bela canção do J. Neto, Nazareno

Bonita canção sobre Jesus e seu amor por nós...
“E foi morar numa cidade chamada Nazaré, para se cumprir o que foi dito por meio dos profetas: “Ele será chamado Nazareno.” ‭‭Mateus‬ ‭2:23‬ ‭NA17‬‬

20 de janeiro de 2018

Ideais

Ideais (20/01/2018)


O que mais adoece um coração?
O mais profundo em nosso interior?
As pessoas cobram muito mais
Do que aquilo que podes dar

Escravizam-te nos ideais delas
Quando apenas queres viver
Sobrevoar teus problemas
Olhar de cima a vida como ela é

O verde das florestas
Os animais selvagens e outros pássaros a voar
O homem inventou maquinações
Tolas, para escravizar tão-somente

Seu mais próximo irmão lhe é estranho
Pois inventou ideais, inventou desgraças
E não ergue ninguém, antes com palavras
E mãos pesadas esmaga seus irmãos

Parai ó tiranos do espírito
Atentai ao vosso coração mesmo
Percebei se sois tão belos
Quanto parecem a vós mesmos

Deixai, deixai
Que os espíritos sobrevoem
Para além de seus problemas
Deixai-os viver, como a animais selvagens

Não forçai reinos
De quimeras inalcançáveis
Deixai
Deixai ser...

27 de julho de 2017

Adulto?

Às vezes, não sei,
Preciso dizer, em algumas linhas,
O que sinto no meu coração,
E chamo isso de poesia.

Mas por que chamo assim?
Talvez, porque nesse meu coração,
Eu tenho a vaidade de ser um poeta
E me iludo com isso.

Mas sei que minha dor é verdadeira,
Sinto a falta de ser pleno,
Cheio de virtudes, talvez...
Mas reconheço que sou um homem vulgar.

Sinto falta de ser,
Da completude da vida,
Da serenidade de uma manhã
De céu azul.

Sinto falta da simplicidade,
Da eternidade da minha infância.
Mas esse eterno passou,
A expectativa pueril pelo novo, se foi.

Me sinto, ainda estando
De certa maneira longe da velhice
Desvanecendo.

Como faço para ter em mim
Aquela ingenuidade perdida?
Pois estou cansado da malícia
Presente nessa minha vida adulta.

3 de dezembro de 2016

Por nada

Por nada

Escrevo por nada
O nada, que não existe
Escrevo sem motivo
Para me sentir mais achado
Que perdido

Sou matéria na Terra
Que sente
Que cheira
Que toca
Que é tocado
Que ouve
Vê
Saboreia

Sou um tempo no espaço
Um espaço no tempo

Que haverá depois de mim?
Que faço eu nesse interim
De inexistência e existência?
Pois um dia não serei mais.
O esquecimento.

Mas ainda serei por um tempo
Nas lembranças de quem amei
E por quem fui amado

Escrevo por nada
Meus versos bailantes
Bailam só por alegria
Festejam a existência
Do fulgaz momento.

Numa dança simples e leve
Bailam meus versos
Ops, um passo errado
Um tropeço
Gargalhadas
E voltam  ao compasso


18 de outubro de 2016

Amor não percebido

08.10.2016

Amor não percebido

Amar alguém e não ser percebido
É como ter perdido um navio
Chegado no final da festa
Ter chegado à roda de amigos
Quando todos estão indo embora

Você sempre está perdido
Sem saber o que aconteceu
Perdeu o último trem da noite
A estação completamente vazia

É como uma tempestade
Que te pega desprevenido
E não há abrigo
É um desabrigado em uma noite de frio

O amor não percebido
É um por-do-sol melancólico
Uma noite sem estrelas
Amar assim é como ser
Um palhaço triste
Todos riem de você
Mas despedaçado por dentro
Retira a maquiagem
Apagam-se as luzes
E na solidão se deita

Um amor não percebido
É o cansaço dos ossos
É sempre esperar um dia melhor
Que parece tão distante
São olhos cansados
De lágrimas

Isolai, isolai minha alma

Isolai, isolai minha alma

Deixe-me
Deixe-me de canto
Pela sordidez que invadiu minha alma
Deixe-me aqui
Isolado pelos sentimentos de culpa
Que me assolam

Para que atentar para mim?
Alma inquieta por desejos
Existente em um mundo
Impalpável para tudo

Não há carne, não há corpo
Ó contaminação eterna do que foi feito puro
Distorção da vida
Paranóias sempre acrescidas
Em crimes contra inocentes
Gentes sem rostos
Para reconhecer

Desfigurai vosso semelhante
Ó todos os donos do saber e da justiça
Não são vocês os guardiões
De tudo que é justo e puro?
Tens em vossa razão
O salvo conduto
De fazer de vós mesmos
Princípio e fim
Sois vós assim
Como semi deuses
Tão próximos de vosso paraíso

Expulsai do vosso Olimpo então
As almas inquietas
Que como a minha, abatida
Buscam apenas viver
E um coração nessa vida

2 de agosto de 2016

Exílio da alma

Sonhos do passado
Se tornam pesadelos do futuro
A frustração espreita nas madrugadas
Sou alguém sem destino
Sem bússola para me guiar

"Confie em Deus", dizem
Mas estou bem longe dele
E não entendo seus pensamentos
Mais altos que os meus

Sou uma alma atormentada
Por tudo o que sou em mim mesmo
Por tudo que tem acontecido
E como acontece

Dores, o mundo está cheio delas
De feridas mal prensadas, mal cuidadas
Estou entre os feridos
E me pedem bandagens que mal tenho pra mim

Acendam ao menos uma fogueira
Para aquecer nessa noite fria e longa
Esses abandonados à própria sorte.

Penitente

Deixe-me perdido
Perdido de todas as ilusões que criei para mim
Quem dirá que fiz errado
Queria que todas elas não me acometessem
Mas deve fazer parte da vida
Nos iludir

Minhas pernas um dia fraquejaram
Ao ver alguém que pretendia amar passar
Mais uma ilusão do meu coração

Essa madrugada permanecerei acordado?
Sempre há esse dias
Em que parecem o fim do mundo
Sempre há

Sofrimento
Por alguma razão
Estou distante de tudo e todos
Fechado em mim
Querendo me encolher
Sinto em mim saudade
Que se vai logo
Em um momento

Penitência
A dor infligida na alma
Tristeza intensa
Que assim seja



Embriagado de passado

Quem acreditaria na dor de um bêbado
Que está embriagado nas próprias dores?
Quem diria algo interessante
A quem tanto se desinteressa?

Acha que sua dor difere da dos outros?
Acha sua dor insuportável?
Como tantos suportam?
Queria também saber
Pois busco uma saída
Sem encontrar

Tenho convivido por muito tempo com essas frustrações
Para mim nada mais tem feito sentido
Afinal esses monstros me acompanham
Todo dia, à noite, os engulo
Eles vivem dentro de mim
Assombram-me cada dia

Certamente entenderias não?
Quantas dores no mundo?
Faz sentido?
Quantas dores sem alívio?


Escrevo coisas sem sentido
Procurando um sentido
Que talvez nunca mais exista
E existiu em um passado
Ou me iludo?

Sonhos adormecidos na morte

Minha alma carece de vida
Perdida em alguns anos de vida
Nos momentos que preservo na memória
Momentos belos que escaparam de mim

Talvez minha insensatez
Os tenha feito escapar

Meu egoísmo, ou não
Quem pode medir
As consequências de uma atitude

Tenho tido algumas perdas
E tenho me sentido só
A vida tem passado por meus olhos
Lacrimejantes agora

Que adianta em mim todo esse lamento
Por que viver tão preso ao passado?
Só porque lá sonhei muito alto?

Minha alma está vazia de vida
Vazia de amor
Vazia de sentido e direção

Oh tu que vês tudo do mais alto lugar
Salva-me de mim mesmo

Acho que nem a ti mesmo deixo amar-me
Talvez por isso não mereça amor

Mas essa minha vida tem doído em meu coração
Eu não sei para onde ir
Estou paralisado na vida
Como sonhos envelhecidos
Sonhos cadavéricos

Cheiram mal
Já passaram muitos dias
E não tenho forças para mover essa pedra
Em meu coração

Dóí toda minha alma
E queria adormecer
Sob a chuva
Sob o frio


18 de julho de 2016

Esperança dos tolos

Há dias em que você
Não quer ver seu próprio rosto
Não quer se deparar
Com o tempo que passou

Com toda expectativa que você teve
Do que não aconteceu
Apesar de seus esforços
Tudo se torna culpa sua

Você errou, não teve o que queria
Não estava preparado para aquilo
Apesar de seus esforços
Eles foram poucos

O que resta para você
É sua mente te acusando
Dizem que o tribunal da consciência
É o pior que pode haver

Então você sente os dias doerem
O que resta pra você?
Deitar na cama
E continuar sonhando
Com aquilo que não aconteceu
Esperando aquele novo amanhecer

Resta a esperança de um tolo

7 de junho de 2016

Idealizações

Idealizações – 07.06.2016

Aqui estou nesse mundo.
Não, não me sinto herói,
Não me sinto justo, nem mesmo príncipe.
Não sou nenhuma dessas idealizações.
Sou vil,
Sinto-me vil e careço de misericórdia,
Sou apenas um homem comum
Ordinário como todos os outros.

Vês aquele andarilho?
Poderia ser eu...
Esqueça as idealizações!
O mundo é o que é
Sujo!

Minhas mãos estão sujas
E esfrego com elas
O meu rosto com lágrimas,
Quero acreditar
Que pelo menos elas são verdadeiras.

Meu coração não deseja a aparência
Ele deseja a essência,
Sabendo-se tão distante dela
No fim uma idealização.

Afastem-se de mim,
Sabei que tenho lepra
Em minha alma.
Deixai-me alguns dias só,
Pois ando enfermo de mim mesmo,,,



28 de maio de 2016

Saudades do que não existiu

Que rosto lindo passou por minha vida

Que pensamentos de ternura me enterneceram

Pensamentos que nunca se realizaram


Sonhei alto

Quis voar por sobre as nuvens

Sentir a brisa em meu rosto

O raiar de um novo dia em minha vida


Um dia que trouxesse sorrisos e carinhos

Uma flor no cabelo, um amor que não aconteceu


Hoje sou isso que restou de mim

Todo amor não vivido na minha juventude

Toda a espera que joguei fora

Em um momento de escuridão


A ternura fugiu de mim

Ou fugiu do mundo


Que busco eu ao ver de novo seu rosto

Ao ver-te de novo como eras

Ou como eu imaginava que eras

Busco o que nunca tive


Um amor que tanto reconheci

Mas tão estranho e avesso a mim


E caí, várias vezes

E permaneço caído

Com as asas da imaginação terna cortadas

Assolado pela torrencial chuva de solidão


Sem nada que me aqueça