3 de outubro de 2026

Tormentos noturnos

Pensamentos sujos
Vêm afligir-me 
Quem dera fossem apenas sujos,
São imundos.

Demônios que chegam sorrateiramente à noite
Roubaram-me o sono
E hoje esconderam-no em químicas
São os alquimistas que criaram a poção dos meus tormentos
E assim, cinicamente, trazem remédios de alívio

Cedo na vida,
Quando a escuridão densa turbou-me
Voltava para casa aflito
Ao som do trem
Que me conduzia
Em ânsias de vômito

Meu pensamento queria sair pela boca
Aquela crueldade não era minha
Confuso, a engolia

Espasmos da minha alma atormentada
De passados angustiantes
E futuros frustrantes

Levaram-me sempre a procurar alívio e refúgio
Clamava àquele homem dos mais aflitos o mais afligido
Ia a ele para alívio, afligidamente, e ele ainda mais afligido
Vendo a minha aflição, dizia-me: segue-me.

Está tudo tão pesado, escarnecem de mim
Solitário, sem amigo,
Me esquecem

Que quis companhia, que quis amparo
Mas esse mundo é desamparado e desconfiado
Todos somos estranhos
Não há bom dia nem gentilezas
Há mais e mais estranhezas

Então o siléncio,
Junto do sofrimento.
Quem dirá em bilhões de pessoas?
Eu era, a penas, mais um.