Quando alguém escreve coisas de sua alma expressando-as num papel, expressando-as num texto, se vê num espelho. Essa é a razão desse blog chamar-se Espelho de Tinta. Deixe um comentário seu e obrigado pela visita.
18 de julho de 2012
Institucionalizado
É como se colocassem em você uma armadura pesada,
Assim como Saul fez com Davi quando esse iria lutar.
Mal conseguia se mover.
Ele era bom lutador, mas com o corpo livre,
Com um estilingue em suas mãos.
A institucionalização desnaturaliza aquilo que é natural,
Complica o simples.
Logo o simples perde a graça,
É como a mulher que é bela, mas exagera na maquiagem.
Institucionalizam tudo, rotulam tudo, maquiam tudo.
Logo, tudo se torna sem sal, insípido.
Para que serve?
Institucionalizamos o mundo em cidades de grandes,
Institucionalizada a pobreza e as esmolas,
As guerras e a paz.
Não sabemos amar, então instituímos regras.
Institucionalizado o medo e a coragem.
Somos seres de edifícios, quadrados, cinzas...
Seres de arranha-céus.
Somos seres que se desinstitucionalizam finalmente,
Mas quando ruem, quando desmoronam,
Quando choram.
12 de junho de 2012
Dia dos namorados
Que sentem ausência.
8 de junho de 2012
Tarde...
21 de abril de 2012
Caos na ordem
Sou muito feliz quando sou eu mesmo,
Muito feliz quando aceito todos os acasos,
Quando não tenho seguranças,
Posso viver sem medo do amanhã.
Sou sempre uma borboleta na vida,
Não existe nenhuma simetria no meu vôo,
Ele sempre é caótico.
Sou livre por que aceito que não controlo tudo,
Que tudo pode ser imprevisível,
E não prever nada é o que quero.
Nenhuma cobrança excessiva sobre mim.
Por que entendi que não sou,
Nem quero ser,
Perfeito.
Quero ser caótico,
E no caótico encontrar enfim minha ordem,
Que não é ordem simétrica,
É sempre assimétrica, cresce onde há luz do sol,
Espalha suas raízes pela terra,
Sempre na assimetria tão ordenada,
Viçosa, caótica, que apenas existe.
5 de abril de 2012
Arranha-céus

Tento compreender o que acontece dentro de mim.
Sempre um duelo, sempre uma luta sem fim,
Sempre algo novo a fazer.
Uma esperança e uma desesperança.
Quero sumir no primeiro navio que partir
E assim tentar vida nova,
Estou há tanto tempo distante do mar.
Onde está a voz do mar? Onde estão as vozes da natureza?
Todas se calam.
Todas de tão abafadas e sufocadas desaparecem na cidade grande.
Tudo é cinza e opaco,
Não há beleza.
Há o nojo. Há a ansiedade.
*
Todos nós, distantes do carinho necessário,
Todos nós imunes ao amor.
Por conseqüência, o que é belo passa diante dos nossos olhos
E simplesmente não notamos.
Sempre na clausura da escuridão
Sempre esse carrasco que me apunhala no peito
E a dor é intensa,
Sufoca. Presença de ausência
É sempre assim...
A imagem recorrente
Para lembrar sua prisão.
9 de fevereiro de 2012
O mundo em que a gente vive

Como é esse mundo em que vivemos? Um mundo que se tornou de poucos privilegiados enquanto uma massa enorme vive opressa. Idosos em filas da previdência social, mães chegando em hospitais tendo de assistir a seus filhos sofrendo com algum problema de saúde e não poder fazer nada, a não ser esperar e esperar, indefinidamente.
As pessoas só podem estar cauterizadas em suas consciências, não é possível. Como um presidente de uma nação permite que seu povo sofra para ajudar a outro povo que não é de sua nacionalidade? O correto não seria primeiro arrumar a própria casa, ainda mais sendo essa casa pobre?
A cauterização da consciência só pode ser a resposta para a falta de empatia para com o próximo.
As pessoas morrem todos os dias ao nosso redor, e nós só pensamos em explorá-las, em ver no que elas podem ser úteis para nós, depois as descartamos como se fossem lixo. E há pessoas que não precisam mais ser descartadas, já vivem no próprio lixo.
Mas quem realmente se importa com o semelhante? Quem realmente atenta para o sofrimento alheio? Parece que a única coisa que temos alheio a nós mesmos somos nós. Pois que celebrem todos esses antolhos então. Sejam todos esporeados por seus egoísmos e morram sempre como velhos solitários.
Mas tudo isso será sempre bater na mesma tecla, não é mesmo?
21 de outubro de 2011
20 de outubro de 2011
Bruce Springsteen - Brilliant Disguise
Sou eu ou apenas um brilhante disfarce? (...)
Deus tenha misericórdia do homem que duvida daquilo que ele tem certeza."
26 de agosto de 2011
#prontofalei #tenhodito #simplesassim
Cara quando eu olho meu blog eu me sinto triste, teve até gente fazendo piadinha com ele.
L de Loser na minha testa. LOL
Bom, mas mesmo assim eu prefiro ser um loser anônimo que um famosinho mediocre metido a besta. Quem disse que eu quero fama, quero nada!
Uma vez eu tava assistindo a TV Cultura, acho que era o Entrelinhas, faz tempo que não o assisto, enfim... No Entrelinhas foi falado de uma escritora que dedicou o prêmio dela aos leitores, para mim, no momento que vi isso, foi o ápice da humildade, rsrsrs. Exagero? Sei lá se é. Mas achei bem legal.
Eu tô meio perdido no que escrever aqui, desculpa aí! Blog é um espaço onde a gente pode expor nossos pensamentos à vontade. Não sei se é bem assim. Olha a auto-censura aí.
Mas hoje em dia tem um remédio para a auto-censura, a hashtag #prontofalei ou #tenhodito ou #simplesassim. Esse texto poderia ser uma mistura dos três, mas vou encerrá-lo com a hashtag que tomo emprestado do livro 1984 de George Orwell: #crimedopensamento.
Isso aí. O texto se encerra com uma crítica à censura e à auto-censura. #crimedopensamento
O Grande Irmão está de olho em você Beto. A Polícia das Idéias vai te pegar José Roberto.
PS: Só li até agora os 3 prímeiros capítulos...
Crime de pensamento na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Crime_de_pensamento
11 de maio de 2011
Náufragos da cidade grande

Não, ninguém sentirá o que sinto.
Ninguém verá as angústias que fluem como rio
E secam em amarguras.
Quem entende o quê? Onde? Quando?
Aí você vê a vida correndo,
Ela corre,
Nos ponteiros do relógio,
No fluir dos rios,
E tudo é tão igual como nos ponteiros.
*
Tudo é colocar-te longe de todos,
No juízo demasiado
De quem não entende nada.
Que quer a mudança que só um pouco de amor pode dar
*
Mas fica assim,
A solidão dominando todos os náufragos.
*
Todas as coisas mudaram,
E que sentido fazem?
Tudo deixou de ser como era antes.
Eu vi, mas não percebi,
Como um náufrago da cidade grande.
*
O que você lutou para ter nesse tempo
Que para alguém é tão simples
Não faz sentido agora
No naufrágio do tempo.
14 de fevereiro de 2011
O titereiro incompassivo

Nem tudo que escrevo aqui é tão eu.
Às vezes parece o meu eu retorcido
Pelo espelho da realidade que enxergo no mundo.
É uma coisa difícil de explicar...
Meu amar enfraquecido,
Meu amar não correspondido,
Meu andar cambaleante
Apesar de sóbrio.
Cambaleio tentando definir
O que sinto e vejo,
Distorcido, derretido
Surreal.
Me perco no psicodelismo da minha alma.
Só procuro definir-me,
Mas quanto mais tentativas
Não consigo entender.
Preciso de salvação
Para meu coração deformado
Exilado na terra da incompreensão,
Sem entender,
Desafinado.
Embaralho-me, dessequenciado,
Para tentar achar apenas um sentido
Para meu eu enfraquecido.
Um titereiro incompassivo
Guiando-me à solidão.
Meu choro por redenção,
Minha fada azul.
Vento da noite

Às vezes você precisa ser durão
Não pode se expor tanto
Tantos sentimentos para os pisarem
Por mais bem intecionados que estejam
Não merecem um real furado seu
Seus sentimentos a flor da pele te enfraquecem
E você só quer fugir
Apagar seu passado e recomeçar
Como entenderão seu forte desejo de viver
Todas as noites são quentes e difíceis de dormir
Quero estar longe daqui
Voar como águia
Durante a noite sentir o vento frio
Em minhas asas
Só sei dizer: não se exponha.
Não! Não deixe te julgarem
Apague todos os sentimentos
E viva
8 de fevereiro de 2011
Um sorriso encantador

Um sorriso encantador
Por mais estranho que eu possa parecer
Amando tanto,
Eu não quero perder isso.
Seria como perder minha alma.
Cuidar de alguém é cuidar de mim.
Amar você
É querer que todos os seus sonhos se realizem,
É fazer uma prece a Deus para te proteger sempre,
Que o sorriso do seu rosto não se apague.
E quando as lágrimas vierem em seu rosto,
Estar ao seu lado para te confortar.
Eu não sou perfeito.
Preciso do seu amor,
Do seu olhar de amor sobre mim,
De Deus a nos amar sempre,
E nós sermos dele.
Nós dois juntos.
Quero cuidar de você,
Estar ao seu lado nos momentos mais felizes,
E nos mais difíceis de atravessar
Ter a força para permanecer ao teu lado.
Deus faça do nosso amor
Um exemplo do Seu.
Não quero que as muitas águas
Apaguem esse amor.
Você não sabe o quanto preciso de você?
Do seu sorriso?
Não sabe quantas lágrimas meu coração pode derramar pela a sua ausência?
Poderia alguém viver sozinho e feliz
Sem uma mão de carinho sobre seu rosto?
Um amor sincero
Capaz de vencer todas as barreiras?
Seria pedir demais sua mão segurar a minha?
Apenas isso.
Seria demais pedir o carinho dela
Quando tudo parece querer desabar sobre mim?
Seria isso uma fraqueza?
Seu sorriso me encanta
E mesmo assim está tão distante de mim agora.
Te amo e quero amar para sempre.
Nós com Jesus Cristo,
Ele conosco.
"Sem mim nada podeis fazer." Jesus
Te vejo no Céu :)

Para quem perde um parente próximo como pai, mãe e irmão sempre é algo muito difícil de atravessar. É uma pessoa que sorriu com a gente, que atravessou momentos difíceis ao nosso lado, tivemos conflitos e os superamos na maioria das vezes.
Quando perdemos alguém fica a marca da ausência, aqui nesta vida não teremos mais as conversas que tínhamos, os momentos bons são marcados agora pela ausência. Nós temos que continuar a caminhada com essa ausência, pode ser difícil, mas temos que continuar. Não podemos ficar ausentes com a ausência daquela pessoa. Temos que ser pessoas presentes em outras vidas que ainda estão aqui. Talvez nós vamos embora antes delas e o que nós deixaremos para elas são memórias lindas que as inspirarão a prosseguir ou apenas nossas tristezas, amarguras? Fiquemos com os sorrisos e que as lágrimas sejam apenas pelo consolo de Deus.
A morte deveria ser uma passagem tão linda quanto a vida. Quando há nascimento nós comemoramos. Gostaria que toda morte não fosse apenas um sinal de sofrimento pela ausência da pessoa, mas sim, lá dentro, no nosso íntimo, uma comemoração por uma vida que valeu muito a pena ser vivida.
Gostaria que Deus nesse momento consolasse a todos que perderam parentes próximos. Deus vê a morte como um sono, alguém que morreu é alguém que dorme, é assim que está escrito na Bíblia Sagrada. Um dia todos nós despertaremos desse sono e reveremos parentes que se foram. Isso na Bíblia se chama a ressurreição do último dia.
Dizem que a esperança é a última que morre. Eu digo que mesmo depois da morte ainda há esperança, pois Jesus Cristo ressuscitou e ele é a esperança e essa não morre nunca mais.
Eu espero que todos nós um dia possamos estar por toda eternidade ao lado daquele que nos criou e nos ama muito.
Eu não sei descrever seu amor, isso deve ser impossível. Tenho esperança nesse amor de que serei feliz sempre, mesmo com a ausência de um parente aqui na Terra, na esperança de reencontrá-lo um dia, ao lado de Cristo e para sempre vivermos com ele.
Deus abençoe a todos.
Isaías 49:15
Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.
Em memória do meu avô materno Arlindo Antônio de Oliveira, minha tia materna Vercima Pereira Rocha Oliveira, meu avô paterno José Amaral Palmeira, minha avó paterna Maria Francisca Amaral Palmeira e minha tia paterna Berenice Amaral Palmeira.
Te veo en Cielo
29 de setembro de 2010
Retrato de um tempo

Retrato de um tempo 25.09.2010
Hoje formulei milhares de questões na minha mente.
Na verdade, deveriam ser apenas uma dúzia, ou menos...
Mas sempre estou pensando na vida.
Sempre sei que há algo em mim
Que talvez sonhe o outro.
Sonhe o outro melhor?
Capaz de não ter rumo?
Talvez procurar pelo norte
Sem nenhuma referência?
Quem sou eu? O que faço aqui? Porque o universo é tão grande?
Por que não vôo para distante?
Por que me centro tanto em mim?
Talvez um pequeno príncipe solitário
Num asteróide.
Talvez um mendigo na rua
De olhos distantes.
Pessoas passam por minhas vistas,
Vultos!
Meus olhos estão longínquos,
Buscando no horizonte não um futuro,
Mas um passado que não volta mais.
Voltaria?
Uma mão de amigo
Que me ajudasse a viver algo novo.
Tão novo como minhas lembranças?
Quando fiz meus dias antigos
Enrugados?
Curvados?
E eu volto meus olhos
Para o desejo de felicidade,
O desejo da inocência e pureza eterna,
No outro,
Na curiosidade de uma criança.
A inocência se perdeu um dia,
Ela apenas se perdeu,
Sem nenhuma explicação plausível para isso.
E meu poema talvez não seja poema,
Seja uma tentativa,
Uma nova,
De perceber ao menos
O porquê de tudo isso.
E o não porquê,
Para voltar naquele dia,
Tal como um retrato,
Que me mantivesse preso naquele tempo,
Naqueles dias.
Um horizonte perdido.
Por que o acharia?
Por que minhas retinas procurariam por esse mundo?
Para perder a inocência de novo?
Prefiro chorar a perdida,
E me aquietar no fundo do meu coração.
Escondido no vazio,
E entender meu eu.
No fundo do meu coração
Eu sou apenas uma curiosidade infantil.
Não me perturbe mundo!
Ao menos
Não com o seu mal!
Faça-me ver o bem novamente.
Pois meus olhos estão perdidos
E o meu coração dói,
Não desejando mais sua presença...
Ao menos não do seu mal.
14 de junho de 2010
Apanhado por uma forte tempestade

Faz tempo que não escrevo aqui no blog. Muitas vezes eu não sei o que dizer aqui...
Às vezes me decepciono com os sentimentos que se passam no meu interior. Acho que na condição em que vivo, não era para ter esses tipos de sentimentos. Mas que me importa o que as pessoas vão pensar, não posso deixar que o que as pessoas pensam de ruim ao meu respeito dite minha personalidade, dite o rumo da minha vida. Até mesmo que qualquer desesperança dite o rumo dela. Mas por que tudo parece muito difícil em certos momentos?
Às vezes me sinto sem rumo, não tenho bússola para me guiar num oceano vasto e tempestuoso. Preciso apenas achar um escape, quando tudo em que penso é baixar as mãos e me entregar.
Quando um farol brilha em minha direção e meu desespero não me deixa vê-lo.
Onde foi parar os meus exemplos de determinação que me guiavam? Onde foi parar a minha garra? Onde se esconderam as minhas esperanças no meio dessa tempestade?
Tenho ouvido muito alto os meus pensamentos ao ponto de ensurdecer todos os conselhos que tentam me dar?
Um raio de sol ao longe? Não enxergo direito. A tempestade é muito forte sobre o meu rosto.
São Paulo, 14 de junho de 2010.
2 de maio de 2010
Quando não se pode sentir amor...

Eu me perderia facilmente? O que me guia é a luz do amor que quero viver e uma esperança que coloco em Jesus Cristo. Jesus Cristo é um parâmetro para saber quando sou egoísta ou quando estou amando, ou ainda, quando estou confuso.
Eu tenho refletido muito sobre as coisas que me rodeiam. Acho que nossos neurônios fazem inúmeras conexões por segundo em nossos cérebros. Seria demais eu pensar demais?
Eu não sei o que é o amor. Queria realmente saber. As pessoas interpretam de forma errada os sentimentos, ou até mesmo da forma certa; porque diante de 7 bilhões de pessoas, poderia haver imperativos? Para o amor há imperativos?
Quero colocar hoje neste blog um trecho sobre o personagem Tomas do romance A Insustentável leveza do ser.
Gostaria que se você tiver um tempinho, leia e reflita e depois deixe um comentário, por favor. Obrigado.
**
"Sentiu então um amor inexplicável por essa rapariga que mal conhecia. Parecia‑lhe uma criança que alguém pusera numa cesta untada com pez e abandonara às águas de um rio para ele recolher na margem da sua cama.
Ficou uma semana em casa dele e, depois, uma vez curada, voltou para a cidade onde morava, a duzentos quilômetros de Praga. E é aqui que se situa o momento de que falei há pouco e onde vejo a chave da vida de Tomas: está de pé à janela a olhar fixamente para o prédio em frente do outro lado do pátio, e reflete: “Deve‑lhe propor que venha instalar‑se em Praga? É uma responsabilidade que o apavora. Se a convida agora a vir passar uns dias a sua casa, ela virá imediatamente oferecer‑lhe a vida inteira”.
Ou deve renunciar? Nesse caso, Tereza continuará a ser criada numa cervejaria daquele buraco de província e nunca mais a verá.
Quer que ela venha ter consigo ou não?
Olha para o pátio, tem os olhos fixos no prédio em frente e procura uma resposta.
Volta, ainda e sempre, à imagem daquela mulher deitada no seu divã; nunca conhecera ninguém assim. Não era nem uma amante nem uma esposa. Era uma criança que tirara de uma cesta untada com pez e que pousara na margem da sua cama. Ela adormecera. Ajoelhou‑se ao seu lado. O hálito febril acelerou‑se e ouviu um leve gemido. Encostou o rosto ao dela e soprou algumas palavras de repouso para dentro do seu sono. Um instante depois, pareceu‑lhe que a respiração de Tereza se acalmava e que o seu rosto se levantava maquinalmente em direção ao dele. Cheirava‑lhe nos lábios o cheiro um pouco acre da febre e aspirava‑o como se se quisesse impregnar da intimidade do seu corpo. Pôs‑se então a pensar que Tereza já lá morava em casa há muitos anos e que estava moribunda. De repente, tornou‑se‑lhe evidente que não sobreviveria à sua morte. Deitar‑se‑ia a seu lado para morrer também. Escondeu o rosto contra o dela na almofada e assim ficou por longo tempo.
Neste momento, está de pé à janela e invoca esse instante. O que seria que assim se dava a conhecer senão o amor?
Mas o amor era isso? Tinha‑se convencido de que queria morrer ao lado dela, e este sentimento era manifestamente excessivo: se era só a segunda vez que a via! Não seria antes a reação histérica de um homem que, ao aperceber‑se, no seu foro íntimo, da sua incapacidade para amar, começava a representar para si próprio a comédia do amor? Ao mesmo tempo, o seu subconsciente era de tal modo covarde que escolhia para essa comédia uma pobre criada de província que não tinha praticamente hipótese nenhuma de entrar na sua vida!
Olhava para as paredes sujas do pátio e percebia que não sabia se aquilo era histeria ou amor.
E, numa situação em que qualquer homem a sério saberia imediatamente como agir, censurava‑se intimamente por hesitar e por assim privar o momento mais belo da sua vida (ajoelhado à cabeceira da rapariga, convencido de que não sobreviveria à sua morte) de todo e qualquer significado.
Censurava‑se intimamente, mas acabou por pensar que, no fundo, não se saber o que se deve querer é normal:
“Nunca se pode saber o que se deve querer porque só se tem uma vida que não pode ser comparada com vidas anteriores nem retificada em vidas posteriores”.
É melhor ficar com Tereza ou ficar sozinho?
Não há forma nenhuma de se verificar qual das decisões é melhor porque não há comparação possível. Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É o que faz com que a vida pareça sempre um esquisso. Mas nem mesmo ''esquisso'' é a palavra certa, porque um esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso que a nossa vida é, não é esquisso de nada, é um esboço sem quadro.
Tomas repete em silêncio o provérbio alemão, einmal isr keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é pura e simplesmente como não viver."
19 de fevereiro de 2010
Por que gostei de “Onde vivem os Monstros”?

Primeiro de tudo eu vi o trailler no cinema, não lembro que filme fui assistir, aí disse: “esse aí vou assistir”. Será que o “Legendary Pictures” me chamou a atenção? Não sei.
Aí comecei a caça por um cinema para assistir o filme. Cinemark? Necas! Não tinha o filme. Seria um filme “Cult”? Enfim, baixei da net.
O legal de tudo foi quando comecei a assistir ao filme, aquela musiquinha com o Max cantando: “Tchuru tchu tchu tchururu... e as pixações arcaicas nos logos de propaganda dos estúdios realizadores do filme. Sei lá, mas me dá uma nostalgia da infância gostosa de sentir.
Lá está o Max um menininho com uns 10 anos, ele chama a irmã para ver o iglu que ele tinha acabado de fazer com neve, mas a irmã não dá muito bola, a Claire já 'tá crescidinha para essas coisas. “Vai brincar com seus amigos Max!”
O que fazer? Max é um garoto típico que só quer viver uma aventura, cuja imaginação pode muito bem tirá-lo da vida real e levá-lo a uma viagem maravilhosa. Já pensou em como nossa mente na infância podia criar os cenários mais fantásticos e torná-los reais muito mais que a própria realidade?
E olha o Max não tava chapado. Apenas um garoto num mundo de adultos demais para lembrarem que um dia foram crianças talvez.
Onde vivem os monstros? Eles vivem dentro de nós, é o nosso lado selvagem, explorador, nossa vontade intensa de viver, nossa incompreensão. Max se torna rei de um mundo maravilhoso que infelizmente, em um momento, ele tem que deixar.
É Max, mas nunca, nunca se esqueça que você esteve lá, e que foi divertido demais.
Porta-retrato

Havia um garoto
Sozinho, caminhando, olhando para o chão,
Pensando no que era o carinho,
Já que o carinho havia se distanciado dele.
Ele o via claro,
Mas a mente não entendia,
O que ela não entendia?
*
Justificava-se a ausência do carinho?
Onde ele foi morar?
A solidão se aproximou,
De um garoto que apenas caminhava,
A solidão quis morar perto de sua casa,
Quis ser sua vizinha.
*
O garoto apenas tinha uma lembrança:
Onde está o carinho que passou por aqui?
Que me confortou?
Que parecia ser tão companheiro,
Anunciando a chegada do amor?
*

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