22 de agosto de 2026

Moral de rebanho

Moral de rebanho (22 de agosto de 2026, noite)

Vi meus dias se consumirem
Pela moral de rebanho.
Me submeter.
Para poder ser
Esqueci de mim.

Querendo ser amado
Por quem deveria amar
E me odiou.
Meu coração quebrado
Desprezado.

Então a revolta
E a confusão me impulsionavam
Para o poço do desespero.

Meu coração enganoso,
Ferido e confuso,
Enganava-me mais.
Eu não era mais ovelha,
Mas um lobo ferido.

Sou estranho a mim
E o que quero ser
Reside numa liberdade difícil
De se obter.

Minha cela é úmida e fria
E profunda é a ferida.
Enfaixo-me todo dia
Com trapos de prisioneiros
Que estavam aqui
Antes de mim.

Aguardo todo o dia
O pouco da luz do sol
Que me aquece por um tempo.

Digo novamente
Não me importando mais
Com o que penso
Com o que você pensa:

Sou um lobo na estepe,
Não mais ovelha no pasto.
Esse rebanho que me olhou estranho
Me fez pensar assim 

No fim, de que modo pensamos diferente?
Se todo pensamento subsiste, antes,
Como pensamento de outrem.

Acaba o dia
E o frio desta cela
Gela-me os ossos
E a alma.

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