
Escrevi esse textinho como um desabafo e estou aberto a críticas, pois não sou o dono da verdade...
Quando alguém escreve coisas de sua alma expressando-as num papel, expressando-as num texto, se vê num espelho. Essa é a razão desse blog chamar-se Espelho de Tinta. Deixe um comentário seu e obrigado pela visita.


Tento compreender o que acontece dentro de mim.
Sempre um duelo, sempre uma luta sem fim,
Sempre algo novo a fazer.
Uma esperança e uma desesperança.
Quero sumir no primeiro navio que partir
E assim tentar vida nova,
Estou há tanto tempo distante do mar.
Onde está a voz do mar? Onde estão as vozes da natureza?
Todas se calam.
Todas de tão abafadas e sufocadas desaparecem na cidade grande.
Tudo é cinza e opaco,
Não há beleza.
Há o nojo. Há a ansiedade.
*
Todos nós, distantes do carinho necessário,
Todos nós imunes ao amor.
Por conseqüência, o que é belo passa diante dos nossos olhos
E simplesmente não notamos.
Sempre na clausura da escuridão
Sempre esse carrasco que me apunhala no peito
E a dor é intensa,
Sufoca. Presença de ausência
É sempre assim...
A imagem recorrente
Para lembrar sua prisão.

Como é esse mundo em que vivemos? Um mundo que se tornou de poucos privilegiados enquanto uma massa enorme vive opressa. Idosos em filas da previdência social, mães chegando em hospitais tendo de assistir a seus filhos sofrendo com algum problema de saúde e não poder fazer nada, a não ser esperar e esperar, indefinidamente.
As pessoas só podem estar cauterizadas em suas consciências, não é possível. Como um presidente de uma nação permite que seu povo sofra para ajudar a outro povo que não é de sua nacionalidade? O correto não seria primeiro arrumar a própria casa, ainda mais sendo essa casa pobre?
A cauterização da consciência só pode ser a resposta para a falta de empatia para com o próximo.
As pessoas morrem todos os dias ao nosso redor, e nós só pensamos em explorá-las, em ver no que elas podem ser úteis para nós, depois as descartamos como se fossem lixo. E há pessoas que não precisam mais ser descartadas, já vivem no próprio lixo.
Mas quem realmente se importa com o semelhante? Quem realmente atenta para o sofrimento alheio? Parece que a única coisa que temos alheio a nós mesmos somos nós. Pois que celebrem todos esses antolhos então. Sejam todos esporeados por seus egoísmos e morram sempre como velhos solitários.
Mas tudo isso será sempre bater na mesma tecla, não é mesmo?

Não, ninguém sentirá o que sinto.
Ninguém verá as angústias que fluem como rio
E secam em amarguras.
Quem entende o quê? Onde? Quando?
Aí você vê a vida correndo,
Ela corre,
Nos ponteiros do relógio,
No fluir dos rios,
E tudo é tão igual como nos ponteiros.
*
Tudo é colocar-te longe de todos,
No juízo demasiado
De quem não entende nada.
Que quer a mudança que só um pouco de amor pode dar
*
Mas fica assim,
A solidão dominando todos os náufragos.
*
Todas as coisas mudaram,
E que sentido fazem?
Tudo deixou de ser como era antes.
Eu vi, mas não percebi,
Como um náufrago da cidade grande.
*
O que você lutou para ter nesse tempo
Que para alguém é tão simples
Não faz sentido agora
No naufrágio do tempo.









Trecho da musica ensaio sobre a cegueira - Detonautasveja e analise o texto abaixo. o que você interpleta (é interpreta, você tá míope hehe)
Jovens sem nenhuma utopia
é... sempre arrumam uma forma de matar nossa utopia, quando temos sonhos ou somos utópicos nos rotulam de loucos
Caminham tensos pelas ruas de suas casas velhashá inúmeras interpretaçõs de uma poesia... aqui fala sobre se conformar, estar dentro de uma casa e não saber o que acontece... mostra um sentimento de solidão, impotência
Sem nenhuma luz, sem nenhuma luz de Fernando PessoaNão há luz, saída, alguma coisa em que jovens possam confiar... se agarrar... Há referência a uma poesia de F.Pessoa
Fechados nas sexuais telas da impotênciaTelevisão, Internet, referência à mídia ruim, alienadora
Se masturbam contemplando corpos em decomposição!Decomposição, deterioração, todos nós desde que nascemos sabemos que iremos morrer, mas deixamos que nossos sentidos se embotem antes do tempo. Nos tornamos velhos e prontos para nossa morte ainda jovens.
Morte da minha fé,
Diante daquilo que se vê e desesperança?
Onde estavam o beija-flor e o arco-írisNão há beleza no momento do nascimento... (havia beleza, mas ela sumiu)
Na hora do nascimento dessas criaturas
Quantas gotas de flor restam nos corredores dos céusNão há gosto na vida
De vossas bocas.
Quais fontes clamam por vossos nomes?Não há quem se interesse por eles, é um diálogo, pretende chamar a atenção despertar alguém de um sono.
Eu entrando na virtuosa idadeTalvez ele esteja saindo da alienação, os outros continuam alienados, passivos, conformados com suas costumeiras casas velhas, ruas, lugares por onde passam...
E eles entrando em idade nenhuma.
Os filhos da morte burraAnemia, apatia, morte, estado de estagnação, entregue a decomposição, estão como zumbis pois mortos cheiram o branco pó da anemia, são apáticos como zumbis...
Cheiram o branco pó da anemia
Esqueceram que um dia tocaram na poesia daPureza, no ventre ainda há o desconhecimento, ainda há como explorar, remetendo-se à mais primitiva forma de conhecimento para procurar entender onde o interlocutor se esqueceu de procurar um sentido para sua vida que já vai esvaindo-se.
Transgressão em pleno ventre de suas esquecidas mães
Esqueceram de colar o ouvido ao chãoAlienação da natureza, da vida, já que somos parte da natureza, somos parte dela viva se nos separamos dela nos tornamos apáticos, por que não há como separar uma coisa viva de um organismo vivo sem que essa coisa se deteriore, pois faz parte de um organismo vivo, fora dele não há vida.
Para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas.
Os filhos da morte burraSe ele afirma haver uma morte burra, há uma morte inteligente. Esse tipo de morte seria um tipo de morte alienada da vida.
Jamais levantam uma folha para conhecer o amor (labor) dos incertosMais uma vez o conformismo e apatia. Conhecer o amor dos incertos, pode ser um isolamento do mundo e das pessoas que são incertas mas nelas não há apatia, por isso também nos incertos há amor. Na certeza não há como haver conhecimento, pois quando se está certo de algo, quando não há questionamento aí sim há alienação e ignorância. "Só sei que nada sei." disse o famoso filósofo Sócrates
Jamais erguem taças ao luar para brindar aVigor: Mais uma vez a referência à vida. Vigor é vida é contrário à apatia.
Vigorosa lua
Os filhos da morte burra,Iluminação: Conhecimento. Lembrar-se por exemplo do sentido da época do Iluminismo. Lembrar-se do Mito da Caverna de Platão: http://pt.wikipedia.org/wiki/
Desconhecem ou jamais ouviram falar em iluminaçãoMito_da_caverna
Apenas abrem a boca para vomitarSó vomita quem se intoxica. Do que se alimentam? Do que não presta. Por que só abrem a boca para vomitar? Morto não fala.


















