20.4.12

Caos na ordem

Caos na ordem

Sou muito feliz quando sou eu mesmo,
Muito feliz quando aceito todos os acasos,
Quando não tenho seguranças,
Posso viver sem medo do amanhã.

Sou sempre uma borboleta na vida,
Não existe nenhuma simetria no meu vôo,
Ele sempre é caótico.
Sou livre por que aceito que não controlo tudo,
Que tudo pode ser imprevisível,
E não prever nada é o que quero.

Nenhuma cobrança excessiva sobre mim.
Por que entendi que não sou,
Nem quero ser,
Perfeito.
Quero ser caótico,
E no caótico encontrar enfim minha ordem,
Que não é ordem simétrica,
É sempre assimétrica, cresce onde há luz do sol,
Espalha suas raízes pela terra,
Sempre na assimetria tão ordenada,
Viçosa, caótica, que apenas existe.

5.4.12

Arranha-céus


Tento compreender o que acontece dentro de mim.

Sempre um duelo, sempre uma luta sem fim,

Sempre algo novo a fazer.
Uma esperança e uma desesperança.

Quero sumir no primeiro navio que partir

E assim tentar vida nova,

Estou há tanto tempo distante do mar.

*

Onde está a voz do mar? Onde estão as vozes da natureza?
Todas se calam.
Todas de tão abafadas e sufocadas desaparecem na cidade grande.

Tudo é cinza e opaco,

Não há beleza.
Há o nojo. Há a ansiedade.
*
Todos nós, distantes do carinho necessário,
Todos nós imunes ao amor.
Por conseqüência, o que é belo passa diante dos nossos olhos

E simplesmente não notamos.

*

Sempre na clausura da escuridão

Sempre esse carrasco que me apunhala no peito

E a dor é intensa,

Sufoca. Presença de ausência

É sempre assim...
A imagem recorrente
Para lembrar sua prisão.

9.2.12

O mundo em que a gente vive


Como é esse mundo em que vivemos? Um mundo que se tornou de poucos privilegiados enquanto uma massa enorme vive opressa. Idosos em filas da previdência social, mães chegando em hospitais tendo de assistir a seus filhos sofrendo com algum problema de saúde e não poder fazer nada, a não ser esperar e esperar, indefinidamente.
As pessoas só podem estar cauterizadas em suas consciências, não é possível. Como um presidente de uma nação permite que seu povo sofra para ajudar a outro povo que não é de sua nacionalidade? O correto não seria primeiro arrumar a própria casa, ainda mais sendo essa casa pobre?
A cauterização da consciência só pode ser a resposta para a falta de empatia para com o próximo.
As pessoas morrem todos os dias ao nosso redor, e nós só pensamos em explorá-las, em ver no que elas podem ser úteis para nós, depois as descartamos como se fossem lixo. E há pessoas que não precisam mais ser descartadas, já vivem no próprio lixo.
Mas quem realmente se importa com o semelhante? Quem realmente atenta para o sofrimento alheio? Parece que a única coisa que temos alheio a nós mesmos somos nós. Pois que celebrem todos esses antolhos então. Sejam todos esporeados por seus egoísmos e morram sempre como velhos solitários.
Mas tudo isso será sempre bater na mesma tecla, não é mesmo?

26.8.11

#prontofalei #tenhodito #simplesassim



Bora tirar as teias de aranha do blog né? rsrs
Cara quando eu olho meu blog eu me sinto triste, teve até gente fazendo piadinha com ele.
L de Loser na minha testa. LOL
Bom, mas mesmo assim eu prefiro ser um loser anônimo que um famosinho mediocre metido a besta. Quem disse que eu quero fama, quero nada!
Uma vez eu tava assistindo a TV Cultura, acho que era o Entrelinhas, faz tempo que não o assisto, enfim... No Entrelinhas foi falado de uma escritora que dedicou o prêmio dela aos leitores, para mim, no momento que vi isso, foi o ápice da humildade, rsrsrs. Exagero? Sei lá se é. Mas achei bem legal.
Eu tô meio perdido no que escrever aqui, desculpa aí! Blog é um espaço onde a gente pode expor nossos pensamentos à vontade. Não sei se é bem assim. Olha a auto-censura aí.
Mas hoje em dia tem um remédio para a auto-censura, a hashtag #prontofalei ou #tenhodito ou #simplesassim. Esse texto poderia ser uma mistura dos três, mas vou encerrá-lo com a hashtag que tomo emprestado do livro 1984 de George Orwell: #crimedopensamento.
Isso aí. O texto se encerra com uma crítica à censura e à auto-censura. #crimedopensamento
O Grande Irmão está de olho em você Beto. A Polícia das Idéias vai te pegar José Roberto.

PS: Só li até agora os 3 prímeiros capítulos...

Crime de pensamento na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Crime_de_pensamento

11.5.11

Náufragos da cidade grande

Não, ninguém sentirá o que sinto.

Ninguém verá as angústias que fluem como rio

E secam em amarguras.

Quem entende o quê? Onde? Quando?

Aí você vê a vida correndo,

Ela corre,

Nos ponteiros do relógio,

No fluir dos rios,

E tudo é tão igual como nos ponteiros.

*

Tudo é colocar-te longe de todos,

No juízo demasiado

De quem não entende nada.

Que quer a mudança que só um pouco de amor pode dar

*

Mas fica assim,

A solidão dominando todos os náufragos.

*

Todas as coisas mudaram,

E que sentido fazem?

Tudo deixou de ser como era antes.

Eu vi, mas não percebi,

Como um náufrago da cidade grande.

*

O que você lutou para ter nesse tempo

Que para alguém é tão simples

Não faz sentido agora

No naufrágio do tempo.

14.2.11

O titereiro incompassivo


Nem tudo que escrevo aqui é tão eu.
Às vezes parece o meu eu retorcido
Pelo espelho da realidade que enxergo no mundo.
É uma coisa difícil de explicar...

Meu amar enfraquecido,
Meu amar não correspondido,
Meu andar cambaleante
Apesar de sóbrio.

Cambaleio tentando definir
O que sinto e vejo,
Distorcido, derretido
Surreal.

Me perco no psicodelismo da minha alma.
Só procuro definir-me,
Mas quanto mais tentativas
Não consigo entender.

Preciso de salvação
Para meu coração deformado
Exilado na terra da incompreensão,
Sem entender,
Desafinado.

Embaralho-me, dessequenciado,
Para tentar achar apenas um sentido
Para meu eu enfraquecido.
Um titereiro incompassivo
Guiando-me à solidão.
Meu choro por redenção,
Minha fada azul.

Vento da noite


Às vezes você precisa ser durão
Não pode se expor tanto
Tantos sentimentos para os pisarem
Por mais bem intecionados que estejam
Não merecem um real furado seu

Seus sentimentos a flor da pele te enfraquecem
E você só quer fugir
Apagar seu passado e recomeçar

Como entenderão seu forte desejo de viver
Todas as noites são quentes e difíceis de dormir
Quero estar longe daqui
Voar como águia
Durante a noite sentir o vento frio
Em minhas asas

Só sei dizer: não se exponha.
Não! Não deixe te julgarem
Apague todos os sentimentos
E viva